
Na história do futebol, há exemplos de jogadores que, com a bola nos pés, expressaram simultaneamente talento, elegância e inteligência. Entre os três melhores jogadores da atualidade — Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar —, Messi é o que menos tem elegância no toque de bola. Cristiano Ronaldo, embora não seja uma referência absoluta em elegância ao correr com a bola, mantém uma certa graciosidade que Messi não possui.
Messi é um jogador de talento, e seus resultados comprovam esse talento. No entanto, não tem a elegância com a bola nos pés que marcaram seus compatriotas Di Stéfano e Maradona. Há algo em Messi que bloqueia sua elegância corporal, que deveria emergir naturalmente pelo fato de ser um grande jogador. Com a bola no pé, ele se comporta como um deus que se dissolve no jogo, mas um deus destituído de graça corporal. A bola gruda em seu pé como se fosse uma extensão dele, e ele, uma extensão da bola. Se analisarmos seus gols, do primeiro como profissional até os mais recentes, notamos um padrão tautológico: todos seguem os mesmos gestos. Falta-lhes a graça dos movimentos e a elegância que havia nos gols de Maradona.
Messi, apesar de seu talento inegável, não herdou a leveza e a sofisticação gestual de Ademir da Guia, Garrincha, Pelé, Zico, Falcão ou Zidane. Seu corpo guarda uma certa rigidez, uma mudez expressiva que lembra a forma de comunicação corporal das pessoas com síndrome de Down. Não digo isso para denegrir Messi nem aqueles que têm a síndrome, mas para ilustrar que a comunicação quinésica de seu corpo não transmite a mesma elegância dos jogadores citados. Ou talvez seja uma limitação minha, uma deficiência perceptual que me impede de enxergar elegância no futebol de Lionel Messi.