terça-feira, 7 de julho de 2026

O Gol melancólico do Neymar contra a Noruega retrata o que foi a era Neymar



Por Adu Verbis

É possível pensar na Seleção Brasileira como um organismo vivo, algo que respira em ciclos, que muda de pele, mas não deveria mudar completamente sua essência. Isso porque, antes de Neymar, essa Seleção trocou de pele muitas vezes e funcionou como uma máquina: com arte, com pragmatismo e também de forma caótica, mas mantinha a cadência. Com a era Neymar, a Seleção passou a ser complexa e, ao mesmo tempo, frágil e sem cadência: um espelho emocional de uma geração que não conseguiu sustentar o próprio brilho. A Seleção acabou sofrendo uma mutação e mudando de essência.

Antes da chegada de Neymar, existia uma Seleção que não dependia de um único jogador. Era uma estrutura em que o coletivo sustentava o talento, e o talento, por sua vez, apenas refinava o coletivo e fortalecia o indivíduo. A Seleção de 2002 é o exemplo mais claro disso: Ronaldo decidia, Rivaldo criava, Ronaldinho flutuava pelo campo como uma luz que, de forma quase metafórica, iluminava toda a equipe, e a defesa sustentava tudo com uma serenidade comparável a um barco atravessando um mar revolto. Não havia um centro emocional absoluto. Havia distribuição de funções e objetivo.

Depois dessa troca de pele, algo começou a se dissolver. A geração seguinte tentou manter a ordem, mas perdeu o instinto e a cadência do futebol dito brasileiro. Em 2006 e 2010, a Seleção parecia jogar sob o peso de uma história que já não conseguia sustentar. Havia eficiência em alguns momentos, mas faltava cadência para o jogo fluir. O conceito de Seleção forte deixou de ser absoluto e passou a ser relativo. Nesse intervalo entre o passado de força coletiva e a busca por uma nova identidade, Neymar apareceu não apenas como jogador, mas como elemento que poderia ocupar o protagonismo de jogadores das Seleções anteriores, que construíram a história e deram peso à camisa da Seleção Brasileira.

Neymar chega à Seleção como uma promessa e um possível ponto de virada. Ele passou a ocupar o centro. Isso muda tudo, porque, em uma Seleção onde o centro não é o coletivo, o individual pode tanto fragilizar a equipe quanto a si mesmo. Isso acontece porque, sem um coletivo forte, o individual também se fragiliza.

Com Neymar, a Seleção deixou de ser um sistema equilibrado e passou a ser uma extensão do seu talento. Ele não apenas jogava; ele organizava o ambiente emocional do time. Quando jogava bem, o Brasil parecia acreditar em si mesmo. Quando não estava bem, o time perdia direção, como se a ausência de brilho central desorganizasse o coletivo. Poucos jogadores conseguem carregar esse tipo de responsabilidade sem afetar o clima geral do grupo. Essa centralização, sem uma estrutura emocional e intelectual sólida, cobrou um preço alto.

A pressão, antes dividida, passou a se concentrar. E essa concentração criou uma nova Seleção: brilhante em momentos individuais, mas mais frágil como organismo coletivo. O exemplo da Copa de 2014 reflete o trauma da lesão de Neymar, que expôs de forma brutal a fragilidade dessa centralidade. O 7 a 1 não foi apenas uma derrota; foi uma desintegração emocional de um time sem eixo. Em 2018, o problema se repetiu, mesmo com discursos de mudança. Em 2022, havia sinais de maturidade, mas a dependência estrutural de Neymar permanecia. Em 2026, o ciclo Neymar parece chegar ao fim, marcado por uma última Copa carregada de expectativa acumulada. E Neymar chega à sua quarta Copa mais fragilizado do que nas anteriores.

É preciso olhar para o aspecto psicológico dos períodos vitoriosos e fracassados da Seleção Brasileira. Pelé jogava como se o mundo não pudesse tocá-lo. Ronaldo oscilava como um vulcão, capaz de destruição e redenção em igual intensidade. Neymar viveu outra realidade: a era da hiperexposição. Ele passou a jogar não apenas contra adversários, mas contra narrativas, redes sociais, expectativas e um país inteiro projetando nele aquilo que não conseguia resolver.

Neymar parece encerrar sua passagem com a camisa da Seleção. O gol melancólico, de pênalti, contra a Noruega, soa menos como um lance e mais como símbolo de fim de ciclo. Não foi um gol de glória nem de redenção. Foi um gol com peso e silêncio ao mesmo tempo. Um momento que não explode, mas suspende, como se o próprio jogo reconhecesse que algo maior estava terminando ali. Talvez o pênalti contra a Noruega resuma a trajetória de Neymar na Seleção: foi uma passagem melancólica.

Pelé representou a continuidade de uma supremacia natural. Ronaldo representou explosão e redenção. Neymar representou a tensão constante entre expectativa e expectativa. Ao olhar em retrospecto, a Seleção não apenas mudou com ele; ela também não encontrou um novo eixo sólido. Ao mesmo tempo, Neymar acabou ocupando o papel de símbolo central e de carga emocional negativa dessa era. Ganhou brilho individual, mas perdeu sustentação coletiva. Ganhou criatividade fugaz, mas perdeu estrutura. Ainda assim, a Seleção permanece como a maior do futebol mundial, única com cinco títulos. E esse fato a era Neymar não apagará.

Por isso, o gol de pênalti de Neymar contra a Noruega não representa um fim triste da Seleção Brasileira. Representa um ciclo que se fecha. A Seleção entra em um processo de troca de pele. O desafio agora é saber se conseguirá renascer com a essência do futebol brasileiro construída por gerações anteriores à de Neymar. Que Neymar deixe a Seleção Brasileira em paz e vá viver sua vida.

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Neymar: o cabeça de bagre mais estigmatizado do futebol



Por Adu Verbis

Enquanto torcedor que sempre se decepciona com os jogadores que o meu time, o Santos, contrata ou sobe da base com a fama de mais um raio, passei a classificar esses jogadores como bagre ou meio-boca. Com o tempo, passei a classificar certos jogadores como cabeça de bagre, principalmente depois de entrevistas em que o jogador fala, fala e não diz coisa com coisa; ou diante de fatos envolvendo um jogador que me fizeram pensar sobre a condição cognitiva desse atleta.

Bem, existe algo que me deixa perplexo: não sei quando passei a chamar Neymar de cabeça de bagre, no sentido de falar, falar e não dizer coisa com coisa, e também em relação à postura dele enquanto jogador e ser humano, apesar de que, desde a estreia no futebol profissional, sempre o considerei um craque em campo.

Contudo, fora de campo, o cabeça de bagre do Neymar não só me incomoda, enquanto torcedor santista, como também incomoda um batalhão de gente por mil e um motivos. Ele é um dos jogadores cabeça de bagre que mais geram controvérsia, e jogador bagre e cabeça de bagre é o que não falta, mas parece que Neymar supera qualquer outro jogador cabeça de bagre nesse aspecto.

Tenho que assumir que cabeça de bagre no futebol não é uma exclusividade do Neymar. Mas penso que, talvez, o Neymar seja um dos jogadores cabeça de bagre mais estigmatizados da história do futebol. Posso dizer que Pelé tinha uma cabeça de bagre, da mesma maneira o Messi, assim como o Cristiano Ronaldo tem uma cabeça de bagre, e outros tantos jogadores também.

No entanto, o cabeça de bagre do Neymar é o mais estigmatizado, a ponto de ser criticado tanto dentro de campo, mesmo em seu auge como craque, quanto fora de campo, com sua cabeça vazia e muitas vezes sem nenhum sentido, como se sofresse de alguma desconexão interna ou que ainda vivesse num estado mental de um menino.

Penso, sem me aprofundar no conceito, que talvez o termo latino puer aeternus, expressão que significa menino eterno e que é um conceito que descreve um padrão de personalidade, não uma doença, possa ser aplicado ao Neymar.

Pois, a expressão tem origem na Roma Antiga: era um epíteto, uma alcunha, dado a divindades jovens, especialmente ao deus Dionísio, ou seja, uma figura que simbolizava a juventude eterna. Sem falar que Zeus gesta Dionísio na própria coxa, o que simbolicamente é bem interessante, por significar uma coisa feita sem precaução. O estudioso Carl Jung incorporou o conceito de juventude eterna à sua teoria dos arquétipos, entendidos como padrões psicológicos universais presentes no inconsciente coletivo.

Por isso acredito que, ao falar de celebridades na era da economia da atenção, como o Neymar, o termo puer aeternus faz sentido, e a alcunha Menino Ney reforça que ele se comporta sem precaução como uma divindade que tem o direito à juventude eterna e a amoralidade.

Como todos sabem, no futebol, o que a torcida preza é a vitória, não importa se ela veio por meio de um bagre ou de um cabeça de bagre e se o autor do gol é ético ou não. Talvez a torcida seja o maior cabeça de bagre na história do futebol, que briga como animais primitivos ou mata por pura diversão e demarca espaço como primatas.

Assim como também existe a torcida cabeça, que preza pela inteligência ou é reflexiva, principalmente a torcida de classe média, que gosta de jogadores que soam comprometidos com causas sociais e filosóficas, jogadores que herdaram o estilo do Sócrates ou do Tostão. Dois jogadores que vêm da classe média, muito diferente da maioria dos jogadores brasileiros, que vêm dos rincões da pobreza e que os descasos da elite e do Estado estruturalmente os deixaram na pobreza.

Bem, o assunto deste texto é o bagre mais estigmatizado do futebol, o Neymar, mas não posso deixar de falar dos outros cabeças de bagre. Pelé, por exemplo, foi um craque incomparável dentro de campo e um cabeça de bagre fora dele. A vida pública do Pelé sempre deu o que falar, principalmente por causa da relação meio ambígua com a ditadura militar no Brasil (1964 -1985). Isso numa época em que alguns artistas, intelectuais e até poucos atletas de classe média criticavam o regime, o Pelé quase sempre preferiu ficar num discurso mais neutro, evitando bater de frente com o governo militar. Isso fez muita gente enxergá-lo como alguém “acima da política”, meio que vivendo num espaço da dividade, onde o futebol estaria separado dos problemas da vida real. Só que, na prática, o futebol nunca esteve fora da realidade social, ele também faz parte dela e acaba refletindo a estrutura de uma sociedade.

Quem criticava Pelé argumentava que sua enorme popularidade poderia ter sido utilizada para defender valores democráticos e denunciar violações de direitos humanos. Por outro lado, seus defensores lembram que ele era um atleta, não um líder político, e que pessoas negras e pobres que alcançavam projeção pública enfrentavam riscos concretos ao desafiar o sistema. O que não deixa de ser verdade.

Ao longo da vida, Pelé reforçou uma visão baseada no mérito individual, no trabalho duro e na disciplina, o que levou muitos a interpretar suas falas como conservadoras ou excessivamente otimistas em relação às oportunidades existentes no Brasil. Soma-se a isso a preocupação constante com a própria imagem pública - o caso do reconhecimento tardio de sua filha Sandra Regina reforçou essa impressão por muitos anos.

E o Messi? O jogador que muitos já colocam como o maior da história e acima de Pelé. Dentro de campo, é praticamente consensual como um dos maiores talentos de sua geração; mas sua atuação como figura pública fica muito aquém dessa dimensão. Messi nunca assumiu um papel intelectual ou político relevante, preferindo uma postura extremamente discreta e ambígua diante dos grandes debates que cercam o futebol e a sociedade - o que, para mim, o coloca também na categoria de cabeça de bagre fora de campo.

Acredito que a ascensão de Messi ocorre em um momento em que o futebol passa por profundas transformações: preparação física, nutrição, medicina esportiva e análise de desempenho ganharam um peso muito maior do que em gerações anteriores. Posso até dizer que Ronaldinho Gaúcho marcou a fronteira entre o futebol lúdico e o futebol representado por Messi, no qual o que importa são as estatísticas, um esporte mais científico, no qual os talentos passaram a ser desenvolvidos em estruturas especializadas.

A personalidade de Messi sempre foi marcada pela discrição, e a discrição, em si, não é um problema. Mas vejo nisso também um certo narcisismo discreto: ele sempre se coloca acima dos outros, apesar da aparente humildade, e por trás dessa imagem há um sujeito complexo que não se revela por inteiro. No campo político, praticamente não construiu uma trajetória relevante - uma escolha pela neutralidade, porém ambígua, semelhante à de Pelé, ainda que desenvolva atividades filantrópicas por meio da Fundação Leo Messi, raramente acompanhadas de discursos políticos ou ideológicos relevantes.

Vale lembrar que Messi foi diagnosticado com deficiência do hormônio do crescimento na infância, e que o Barcelona assumiu os custos do tratamento em suas categorias de base, um acompanhamento fundamental para seu desenvolvimento físico. Isso não explica sozinho sua carreira, mas ajuda a entender o contexto científico que sustentou o talento. Já falei em outro texto meu que a expressão corporal de Messi em campo carece da elegância divina de um Pelé ou de um Maradona. Ele se move como uma pulga. E a torcida o chama assim: la pulga.

Saio do Messi e penso no Cristiano Ronaldo. Sei que classificá-lo como cabeça de bagre pode até parecer um contrassenso, mas eu o coloco também no rol dos craques cabeças de bagre.

Ele se comporta como um jogador que faz palestra motivacional em campo, uma espécie de versão melhorada de um coach falastrão e narciso, demonstrando aos seus colaboradores e à torcida o que devem fazer para superar limites.

Cristiano talvez seja o caso mais evidente de um atleta que transformou a própria imagem em uma marca global - o extremo da construção da personalidade esportiva como espetáculo permanente. Seus gestos, comemorações, entrevistas e presença nas redes sociais transmitem uma imagem de autoconfiança levada ao limite, com pitadas de arrogância e, ao mesmo tempo, de insegurança. Por isso, assim como Neymar e Messi, ele também entra na categoria do menino eterno, de celebridades que servem de produto simbólico para a economia da atenção.

Sua percepção de vida gira em torno da superação individual: talento, sozinho, não basta, é o esforço diário, o treinamento obsessivo, os sacrifícios pessoais. Uma ética meritocrática segundo a qual o sucesso depende fundamentalmente da dedicação de cada um. No campo político, praticamente não existe como personagem público, e suas campanhas humanitárias - saúde, combate à fome, doação de sangue -acabam sempre centralizadas em sua própria imagem, evitando qualquer posicionamento que possa dividir sua audiência global. Essa centralidade no culto pessoal, para mim, colabora para torná-lo um cabeça de bagre a serviço da exploração comercial da própria imagem. E o mundo não se torna melhor ao cultuar Cristiano Ronaldo, Neymar, o Messi, ou mesmo ao Rei Pelé.

Voltando ao Neymar: eu o acompanho, esportivamente falando, desde que era moleque, ungido como “o novo Pelé” antes mesmo de completar a maioridade. Isso talvez já fosse uma sentença. Pelé carregou o peso de ser Pelé; Neymar recebeu, de saída, o peso de substituir um mito. Fomos nós, eu como torcedor, os jornalistas, os patrocinadores, que colocamos essa coroa na cabeça de Neymar antes do tempo, ansiosos por reviver uma glória. Quando o ídolo chega pronto na imaginação antes de chegar pronto no campo e para a vida, qualquer deslize deixa de ser apenas erro de jogador e passa a parecer traição a uma promessa, que não foi abortada, mas gestada na coxa.

Neymar foi o primeiro grande craque brasileiro formado sob a vigilância permanente das redes sociais. Pelé viveu sob o olhar dos jornais. Ronaldo Fenômeno, sob o da televisão. Neymar viveu sob o olhar incessante da internet. Cada queda virou meme. Cada festa virou debate internacional. Cada relacionamento virou julgamento e linchamento virtual. Cada declaração virou manchete antes mesmo de virar contexto e as circunstâncias reveladas.

Ao longo da carreira, Neymar falou sobre dinheiro, sobre fé, muitas vezes de modo dúbio. Falou sobre a importância da família, sobre aproveitar a vida e sobre a dificuldade de lidar com a pressão permanente. Ao fazer isso, deixou de ser apenas um atacante e passou a ser tratado como um personagem político e cultural. Para alguns, é autenticidade; para outros, sinal de imaturidade. Mas talvez seja simplesmente a forma como ele escolheu viver.

Não sei o que se esperava de Neymar. Talvez se esperasse que envelhecesse como um líder maduro, quase solene, à maneira de outros capitães históricos. Em vez disso, continuou parecendo um garoto que teve talento, tentando sobreviver a um mundo que exigia dele uma postura que ele não é capaz de sustentar plenamente. Quando sorri demais, é acusado de não levar o futebol a sério. Quando reclama, é visto como mimado. Quando responde às críticas, é considerado arrogante. Quando se cala, talvez revele sua verdadeira essência, intelectualmente vazia.

O que me intriga é: por que as falhas de Neymar ganharam um peso tão maior do que falhas semelhantes de outros grandes jogadores? Em que momento deixei de criticar o atleta Neymar para transformá-lo na personificação de tudo aquilo que considero errado? Não sei. Talvez porque nunca tenha julgado Neymar apenas pelo que fazia com a bola nos pés, e via nele o que não era para ser visto, porque não havia nada a esperar dele. Talvez tenha esperado mais do que, de fato, deveria.

Em torno de Neymar, o debate quase sempre deixou de ser sobre futebol e passou a ser sobre um ideal. Esperava-se não apenas um craque, mas um modelo de cidadão, de líder, de homem maduro. E Neymar jamais pareceu interessado em representar esse papel, mas isso porque ele não era e não é capaz, e nunca teve estrutura para isso. Talvez seja justamente aí que esteja a origem da régua implacável com que sempre escolhemos medi-lo.

Mas não quero terminar fingindo que toda a cobrança é injusta. Existe, sim, uma diferença real de postura: Neymar reclamou de forma mais visível, caiu mais vezes, se machucou em momentos decisivos e pareceu menos blindado emocionalmente em jogos de Copa do que outros jogadores. Isso é fato, não é só perseguição. A questão não é dizer que ele nunca errou; é perguntar por que o erro dele pesa mais do que o erro de outros, craques em campo e cabeças de bagre fora dele.

Ainda que pareça haver uma diferença entre criticar um jogador e transformar esse jogador em símbolo de tudo o que deu errado. Com Neymar, muitas vezes fiz a segunda coisa: o tornei símbolo de tudo o que deu errado. E, por isso, talvez nenhum jogador brasileiro tenha carregado uma expectativa tão pesada quanto ele, a ponto de se tornar um dos jogadores mais estigmatizados da história do futebol, quem sabe até mais estigmatizado do que Barbosa, o goleiro da Seleção Brasileira na final do Maracanãço, em 1950, que viveu injustamente responsabilizado por aquele resultado durante décadas. Mas Barbosa foi esquecido, e talvez Neymar, e Cristiano também, sejam esquecidos um dia. Enquanto isso, Pelé e Messi possam permanecer eternos.